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Combustível Renovável na Aviação: Transição Energética

8 de dezembro de 2025

O avanço do combustível renovável na aviação marca uma das mais importantes transformações recentes no campo da transição energética. A produção nacional do primeiro SAF 100% brasileiro, anunciada pela Petrobras, inaugura uma nova etapa para o país e para setores produtivos que dependem direta ou indiretamente da aviação. Além de reduzir emissões, essa tecnologia fortalece a segurança jurídica, amplia a competitividade e se alinha às diretrizes globais de descarbonização previstas pela ICAO e por programas como o CORSIA.

Sob a ótica ambiental e industrial, o SAF representa uma solução estratégica. Ele permite que empresas, inclusive as que integram cadeias logísticas e de transporte aéreo, atendam antecipadamente às exigências regulatórias de neutralidade climática. Isso também reduz riscos relacionados ao cumprimento de normas internacionais e facilita o planejamento de médio e longo prazo das operações.

Diante de um mercado global que avança rapidamente para exigências mais rígidas de sustentabilidade, a adoção do combustível renovável fortalece o posicionamento do Brasil. Ao integrar inovação tecnológica, infraestrutura energética e políticas públicas, o país demonstra capacidade de liderar soluções que atendem tanto às demandas ambientais quanto às necessidades do setor produtivo.

Combustível renovável: o que é

O combustível renovável utilizado na aviação, conhecido como SAF (Sustainable Aviation Fuel), é desenvolvido a partir de matérias-primas de origem sustentável — como óleo técnico de milho, óleo de soja e resíduos orgânicos. A principal característica desse biocombustível é sua composição química semelhante ao querosene de aviação (QAV), o que garante compatibilidade total com aeronaves e infraestrutura aeroportuária existentes. Assim, ele pode ser utilizado sem adaptações estruturais, mantendo padrões de segurança e desempenho já estabelecidos no setor aéreo.

Além disso, o SAF apresenta redução significativa de emissões ao longo de seu ciclo de vida. Considerando que os processos tradicionais de refino de combustíveis fósseis concentram alta emissão de CO₂, o emprego de matérias-primas renováveis contribui diretamente para a mitigação do efeito estufa. Ele também ajuda a diversificar a matriz energética, trazendo maior previsibilidade e estabilidade em um mercado sujeito à volatilidade dos combustíveis derivados de petróleo.

A adoção desse combustível também colabora com estratégias ESG e com políticas de descarbonização das empresas. Setores industriais que dependem do transporte aéreo — como plástico, metalurgia, alimentos, transporte e logística — podem incorporar o SAF em suas operações como parte de seus compromissos ambientais. Isso reforça a competitividade diante de exigências regulatórias internacionais e amplia a credibilidade institucional ao demonstrar comprometimento com práticas sustentáveis.

SAF: inovação nacional!

A Petrobras consolidou um marco histórico ao introduzir no mercado o primeiro lote de SAF produzido integralmente no Brasil. O volume inicial de 3 mil m³ destinado ao Aeroporto Internacional Tom Jobim representa um avanço expressivo na agenda de descarbonização nacional. Essa iniciativa foi certificada pela ISCC-CORSIA, demonstrando conformidade com padrões internacionais definidos pela Organização da Aviação Civil Internacional (ICAO), o que reforça a credibilidade técnica e operacional do produto brasileiro.

A Refinaria Duque de Caxias (Reduc) já recebeu autorização da ANP para incorporar até 1,2% de matéria-prima renovável na produção. Outras refinarias — Revap, Replan e Regap — também serão integradas ao processo até 2026. Esse planejamento progressivo mostra que a infraestrutura brasileira está se adaptando rapidamente às metas de transição energética, permitindo que o país avance de forma coordenada e segura em direção à produção de combustíveis sustentáveis em larga escala.

Esse movimento coloca o Brasil à frente das exigências regulatórias que entrarão em vigor a partir de 2027, quando voos internacionais terão obrigação de utilizar SAF conforme regras do CORSIA. Para o setor produtivo, isso significa previsibilidade, redução de riscos legais e fortalecimento da imagem ambiental do país. Para as indústrias catarinenses, esse avanço se traduz em maior competitividade, já que o transporte aéreo impacta diretamente cadeias logísticas e o fluxo de mercadorias.

Benefícios do combustível renovável

A redução significativa das emissões de CO₂ é o principal benefício do SAF, especialmente em um setor reconhecido por sua alta intensidade de carbono. Essa diminuição tem impacto direto na mitigação das mudanças climáticas e do efeito estufa. Em um cenário onde empresas precisam comprovar responsabilidades ambientais, o uso do SAF se torna um diferencial estratégico.

Outro benefício essencial é a compatibilidade imediata com aeronaves e sistemas aeroportuários. Isso significa que a transição para o novo combustível não exige adaptações tecnológicas complexas ou investimentos robustos em infraestrutura. Para as empresas aéreas e setores industriais associados, essa característica reduz custos operacionais e evita riscos comuns em processos de modernização tecnológica.

Por fim, o SAF fortalece a segurança energética nacional e estimula a inovação em setores estratégicos como a indústria de biocombustíveis. A ampliação da produção interna reduz a dependência de combustíveis importados e cria oportunidades para novas cadeias produtivas de matérias-primas sustentáveis. Isso fortalece o ambiente de negócios, incentiva pesquisa e desenvolvimento e gera impactos positivos em toda a economia.

Qual o impacto do combustível renovável na aviação?

O setor aéreo global é um dos mais intensivos emissores de gases de efeito estufa, e a adoção do SAF representa uma solução concreta para reduzir esse impacto sem comprometer eficiência ou segurança. Diferentemente de outras tecnologias em estágio inicial, como aeronaves elétricas ou motores a hidrogênio, o SAF oferece aplicação imediata e alinhada às exigências técnicas atuais. Isso torna sua adoção uma das medidas mais viáveis e rápidas para diminuir as emissões do setor.

Além do impacto ambiental, o SAF contribui para o cumprimento de acordos internacionais. Empresas que operam voos internacionais precisam atender às diretrizes do CORSIA, que exigem monitoramento e redução progressiva das emissões. A utilização do combustível renovável, portanto, representa mais do que uma opção: é uma necessidade para garantir competitividade e evitar penalidades associadas ao descumprimento regulatório.

A longo prazo, a incorporação do SAF contribui para que a aviação avance rumo à neutralidade de carbono. Considerando que o transporte aéreo é essencial para cadeias produtivas de Santa Catarina — especialmente metalurgia, alimentos, transporte e logística — essa mudança fortalece a resiliência ambiental e econômica, reduzindo vulnerabilidades jurídicas e posicionando o setor empresarial alinhado às expectativas globais de sustentabilidade.

Dependência do combustível convencional: querosene de aviação (QAV)

Historicamente, o setor aéreo depende fortemente do QAV, um combustível de origem fóssil com alta intensidade de carbono. Essa dependência compromete metas de sustentabilidade e aumenta a pressão sobre governos e empresas para acelerar medidas de redução de emissões. Além disso, o QAV contribui para a geração de poluentes atmosféricos que podem afetar a qualidade do ar e influenciar exigências ambientais futuras, trazendo riscos regulatórios adicionais para operadores e indústrias associadas.

Do ponto de vista econômico, a volatilidade do preço do petróleo torna o QAV um componente imprevisível no planejamento financeiro do setor aéreo. Oscilações bruscas afetam diretamente custos logísticos, e essas variações podem se refletir no preço final de produtos distribuídos por vias aéreas. Para indústrias catarinenses que dependem desse modal, essa instabilidade representa um risco relevante.

Com a introdução do combustível renovável, o setor reduz parte dessa vulnerabilidade. A diversificação de fontes energéticas contribui para estabilidade de preços, fortalece a soberania energética e diminui a exposição a crises internacionais. Assim, o SAF se destaca não apenas como solução ambiental, mas como ferramenta de gestão estratégica para o setor produtivo.

Transição energética

A transição energética refere-se ao deslocamento da matriz baseada em combustíveis fósseis para fontes renováveis, de baixo impacto e com alto desempenho ambiental. Nesse contexto, o SAF desempenha papel central, pois atende simultaneamente exigências ambientais, técnicas e regulatórias. Diferentemente de combustíveis experimentais, o SAF já possui certificações globais, rotas tecnológicas estabelecidas e diretrizes de uso bem definidas.

Essa transição também é alimentada por políticas públicas, como a Lei do Combustível do Futuro, que reforça a prioridade nacional em energias renováveis. O alinhamento entre marco regulatório e inovação tecnológica permite que empresas planejem investimentos com segurança jurídica, reduzindo riscos operacionais e aumentando a previsibilidade das operações — um fator decisivo para indústrias de pequeno e médio porte.

Além disso, a transição energética fortalece a imagem institucional das empresas ao demonstrar comprometimento com práticas sustentáveis e governança ambiental. Em mercados cada vez mais exigentes, a adoção de combustíveis sustentáveis se torna um diferencial competitivo, capaz de atrair parceiros, ampliar mercados e atender auditorias ambientais de forma mais eficiente.

Brasil como referência na transição energética

O Brasil possui vantagens competitivas na produção de biocombustíveis devido ao seu potencial agrícola, estrutura industrial e expertise acumulada em etanol e biodiesel. A entrada do país no mercado de SAF reforça sua liderança histórica no desenvolvimento de energias renováveis. Além disso, a certificação internacional do produto nacional aumenta a confiabilidade do mercado brasileiro e amplia oportunidades de exportação.

O fortalecimento da cadeia produtiva do SAF também gera impactos positivos na economia, criando demanda por novas matérias-primas sustentáveis e estimulando setores como biotecnologia, agricultura e logística. Essa integração de setores produtivos favorece a criação de empregos qualificados, promove inovação e fortalece políticas públicas voltadas à descarbonização.

Por fim, ao se posicionar como referência global, o Brasil demonstra capacidade de contribuir de forma significativa para o enfrentamento das mudanças climáticas. Isso reforça a responsabilidade socioambiental do país e coloca o setor produtivo brasileiro — especialmente as indústrias catarinenses — em uma posição estratégica para aproveitar oportunidades no mercado internacional.

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