Exportações de Santa Catarina: veja quais produtos escapam da tarifa de 50% dos EUA
31 de julho de 2025A recente decisão dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros voltou a acender o alerta entre exportadores e setores industriais em Santa Catarina. Embora muitos produtos tenham sido afetados, alguns escaparam da taxação e entender essa dinâmica é essencial para as empresas que atuam no comércio internacional.
Neste artigo, explicamos quais itens ficaram de fora da medida, como isso impacta as exportações catarinenses e quais estratégias podem ser adotadas por quem atua nos setores mais atingidos.
O que é o tarifaço de Trump?
Em maio de 2025, o ex-presidente norte-americano Donald Trump, novamente em campanha, anunciou a imposição de uma tarifa adicional de 50% sobre a importação de produtos de países que, segundo ele, estariam “prejudicando a indústria americana”, incluindo o Brasil. A decisão, apesar de ter forte caráter eleitoral, provocou repercussões diretas na economia brasileira.
Com a nova tarifa, produtos antes competitivos perdem espaço nos Estados Unidos, encarecendo para o consumidor norte-americano e gerando uma queda na demanda externa por esses itens.
Quais produtos brasileiros foram afetados?
A lista de bens sujeitos à tarifa inclui itens de alto valor agregado e bens de consumo duráveis. Os mais afetados são:
- Máquinas e equipamentos industriais
- Produtos metal mecânicos
- Calçados e têxteis
- Cerâmica e móveis
- Produtos químicos e plásticos
Esses setores têm forte presença no parque industrial catarinense, o que aumenta a preocupação sobre os efeitos regionais da medida.
Produtos que escaparam da tarifa de 50%
Apesar da abrangência da medida, alguns produtos permaneceram isentos da nova taxa, entre eles:
- Carnes de frango e suína processadas
Santa Catarina é o maior exportador brasileiro de carne suína e o segundo de carne de frango. Esses produtos, por enquanto, seguem com acesso facilitado ao mercado norte-americano, devido a acordos sanitários já firmados. - Celulose e papel
Itens com baixo índice de processamento e alto volume de exportação, como a celulose, não foram incluídos na nova tarifa. - Grãos não modificados geneticamente
Alguns tipos de milho, soja e arroz, especialmente os não transgênicos, foram excluídos da taxação por atenderem a nichos específicos do mercado dos EUA. - Peças de reposição para veículos agrícolas
Alguns itens com aplicação específica em máquinas agrícolas permaneceram livres da tarifa, principalmente por dependerem de fornecedores estrangeiros. - Produtos médicos e hospitalares de uso único
Máscaras, aventais, seringas e outros itens de saúde mantiveram isenção, em função da política americana de segurança sanitária e dependência externa nesse segmento.
Impactos para Santa Catarina
Santa Catarina possui forte inserção internacional, com uma base exportadora diversificada. Dados da FIESC apontam que os principais destinos das exportações catarinenses são os Estados Unidos, China, Argentina e Chile. Com isso, as mudanças tarifárias impostas pelos EUA têm repercussão direta nas cadeias produtivas do estado.
Os principais impactos observados são:
- Redução de competitividade de indústrias locais
Empresas que exportam máquinas, móveis, têxteis e eletrodomésticos já sentem retração nas encomendas. - Desaceleração da produção em polos industriais
Regiões como o Vale do Itajaí, Joinville e Jaraguá do Sul, fortemente industrializadas, têm operado com cautela. - Tensão nas cadeias logísticas e contratos internacionais
Empresas estão renegociando prazos e condições com parceiros norte-americanos. - Preocupação com empregos e manutenção de turnos
A indústria de transformação emprega quase 30% da força de trabalho formal em SC. Qualquer instabilidade nos mercados externos impacta diretamente o mercado de trabalho regional.
Oportunidades com os produtos isentos
Enquanto alguns setores sofrem mais, outros encontram espaço para crescer. Empresas que atuam com alimentos processados, celulose, papel e produtos médicos podem aproveitar o momento para:
- Expandir participação de mercado nos EUA
Com menos concorrência interna, produtos isentos ganham vantagem comercial. - Fortalecer relações comerciais e buscar contratos de longo prazo
A previsibilidade é valorizada em momentos de instabilidade. - Investir em diferenciação e certificações
Produtos com certificações internacionais ou atributos sustentáveis têm maior valorização no mercado norte-americano.
Alternativas para setores afetados
Para os setores diretamente impactados pela nova tarifa, é hora de rever estratégias e buscar alternativas:
- Diversificação de mercados
Buscar novos destinos para as exportações, como México, Canadá, países árabes e União Europeia. - Acordos bilaterais e apoio institucional
Estimular a atuação de entidades como Apex-Brasil, Itamaraty e FIESC para negociar condições comerciais mais favoráveis. - Redução de custos e inovação no processo produtivo
Tornar-se mais eficiente pode compensar parte das perdas com as tarifas. - Valorização de atributos sustentáveis
Produtos com baixo impacto ambiental e rastreabilidade tendem a conquistar nichos de mercado mesmo em cenários adversos.
O papel da consultoria ambiental na adaptação empresarial
Empresas que buscam manter competitividade internacional precisam estar atentas às exigências ambientais dos mercados externos. Nesse contexto, a consultoria ambiental especializada, como a da Bertuol Engenharia Ambiental, torna-se fundamental para:
- Obter certificações ambientais reconhecidas internacionalmente
- Atender exigências sanitárias e fitossanitárias
- Desenvolver projetos sustentáveis com menor impacto e maior valor agregado
- Garantir conformidade regulatória e evitar barreiras não tarifárias
Conclusão
A tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos representa um desafio real para parte da indústria brasileira e catarinense, mas também abre novas possibilidades para produtos que escaparam da taxação. Analisar o cenário com estratégia, investir em diferenciação e buscar apoio técnico especializado são caminhos para enfrentar o momento com inteligência e resiliência.