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Investimentos em Causas Ambientais: Prevenção de Desastres e Benefícios para a Sociedade e Órgãos Públicos

10 de julho de 2025

Nos últimos anos, os impactos das mudanças climáticas se tornaram cada vez mais evidentes em diversas regiões do Brasil. Entre os estados mais afetados está Santa Catarina, que enfrenta episódios frequentes de chuvas intensas, enchentes, deslizamentos e estiagens. Esses eventos causam danos à infraestrutura pública, prejuízos econômicos significativos e colocam em risco a vida da população.

Segundo levantamento da Codex, empresa especializada em dados climáticos, com base na Plataforma Nacional de Desastres (S2iD), Santa Catarina acumulou R$ 724 milhões em prejuízos aos cofres públicos entre 2015 e 2024. O principal agente desses danos foram as chuvas intensas, que responderam por mais de R$ 565 milhões do total.

Diante desse cenário, torna-se evidente a necessidade de investimentos em causas ambientais, especialmente voltados à prevenção de desastres naturais. Este artigo analisa como esses investimentos beneficiam tanto a gestão pública quanto a sociedade, e destaca as principais ações adotadas pelo governo de Santa Catarina para enfrentar essa realidade.

A importância da prevenção de desastres ambientais

Investir em prevenção é, acima de tudo, uma estratégia inteligente e sustentável. A recuperação de áreas afetadas por eventos climáticos extremos costuma exigir um alto custo financeiro, logístico e humano. Já a adoção de medidas preventivas reduz esses impactos e evita tragédias futuras.

No contexto dos desastres ambientais, a prevenção envolve desde obras de infraestrutura até ações educativas e tecnológicas, passando por políticas públicas integradas, legislações específicas e fortalecimento institucional.

Além disso, o investimento em prevenção promove benefícios indiretos, como:

  • Maior resiliência urbana e rural;
  • Valorização do território e segurança jurídica;
  • Redução de deslocamentos forçados por desastres;
  • Melhoria na qualidade de vida das populações vulneráveis.

A eficiência econômica desses investimentos também deve ser destacada. Os recursos aplicados em prevenção geralmente são menores do que os valores necessários para recuperação, reconstrução e indenizações.

Santa Catarina: um estado vulnerável aos extremos climáticos

Santa Catarina possui um histórico marcado por eventos climáticos severos. Com 295 municípios, o estado registra com frequência inundações, deslizamentos e estiagens, afetando áreas urbanas, agrícolas e industriais.

Em 2020, por exemplo, o município de Presidente Getúlio sofreu uma das tragédias mais impactantes da década. Chuvas intensas provocaram enxurradas que devastaram bairros inteiros e causaram 21 mortes. Três anos depois, em 2023, mais de 180 cidades catarinenses decretaram situação de emergência por eventos como inundações, alagamentos e seca prolongada — representando 61% de todo o território estadual.

Esses números colocam Santa Catarina entre os estados brasileiros com maior necessidade de ações sistemáticas de prevenção e resposta a desastres.

Programa Proteção Levada a Sério: um marco na prevenção ambiental

Como resposta à recorrência dos desastres e à pressão por maior preparo governamental, o estado lançou o Programa Proteção Levada a Sério, idealizado pela Secretaria de Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina. Trata-se da maior iniciativa de prevenção e mitigação de desastres da história do estado.

Com investimento previsto de R$ 351 milhões até 2026, o programa reúne ações estruturantes e não estruturantes que buscam reduzir riscos, proteger vidas e preservar o patrimônio público e privado.

Principais frentes de atuação:

  • Melhoramentos fluviais: desassoreamento de rios, canalizações, remoção de ilhas e limpeza de margens em diversos municípios;
  • Construção de barragens de contenção: incluindo as barragens de Botuverá (R$ 156 milhões), Mirim Doce (R$ 93 milhões) e Petrolândia (R$ 51 milhões);
  • Modernização tecnológica: ampliação da rede de estações meteorológicas, sistemas de alerta via cell broadcast e incremento da equipe de meteorologistas;
  • Fortalecimento dos CIGERDs: Centros Integrados de Gerenciamento de Riscos e Desastres, com reforma de 20 unidades;
  • Infraestrutura emergencial para municípios: aquisição de kits de transposição rápida para restabelecer o acesso em áreas atingidas;
  • Ações contra a estiagem: investimento em reservatórios, caminhões-pipa e transporte de água para regiões afetadas.

A segunda etapa do programa prevê um salto no investimento, podendo ultrapassar R$ 5 bilhões nos próximos anos, com foco na construção de novas barragens e na ampliação das ações em regiões como o Alto Vale do Itajaí e o Sul catarinense.

Como os órgãos públicos se beneficiam desses investimentos

Os órgãos públicos são diretamente responsáveis pela proteção da população, infraestrutura e recursos naturais. Investir em prevenção representa, para esses entes, um caminho mais eficiente e racional de cumprir seu papel institucional e orçamentário.

Entre os principais benefícios para a gestão pública estão:

  • Redução de gastos com reconstrução e assistência social após desastres;
  • Preservação de ativos públicos, como escolas, hospitais, pontes e estradas;
  • Garantia da continuidade dos serviços essenciais, mesmo durante emergências;
  • Fortalecimento da capacidade de resposta e de planejamento interinstitucional;
  • Atendimento às metas de sustentabilidade e governança (ESG), cada vez mais exigidas por organismos nacionais e internacionais.

O alinhamento entre planejamento urbano, gestão ambiental e defesa civil é essencial para o sucesso dessas ações. A experiência de Santa Catarina demonstra que políticas preventivas bem estruturadas geram resultados concretos e duradouros.

Prevenção e qualidade de vida: os benefícios para a sociedade

A população também é beneficiada diretamente pelos investimentos em prevenção de desastres. Em especial, os grupos que vivem em áreas de risco — como encostas de morros, margens de rios e bairros com infraestrutura precária — ganham em segurança, estabilidade e acesso à informação.

Com as ações preventivas:

  • Menos pessoas ficam desabrigadas após eventos extremos;
  • Comunidades se tornam mais organizadas e capacitadas para reagir a emergências;
  • Os danos emocionais e psicológicos são reduzidos;
  • Há maior confiança nas instituições públicas.

Além disso, a educação ambiental e a disseminação da cultura de prevenção contribuem para o engajamento social, formando cidadãos mais conscientes e participativos nas decisões locais.

Conclusão

Os investimentos em causas ambientais e prevenção de desastres naturais não são apenas uma medida emergencial, mas sim uma estratégia de longo prazo com múltiplos benefícios para a gestão pública e a sociedade.

O caso de Santa Catarina é exemplar nesse sentido. O estado, que há anos convive com eventos climáticos extremos, decidiu adotar uma postura proativa e estruturada por meio do Programa Proteção Levada a Sério. Os resultados esperados não se limitam à contenção de enchentes, mas também à valorização do território, fortalecimento institucional e proteção das futuras gerações.

Diante das projeções climáticas e da frequência crescente de desastres ambientais, torna-se imperativo que outras unidades federativas sigam o exemplo catarinense, priorizando políticas públicas que fortaleçam a resiliência urbana e rural e que façam da prevenção uma política de Estado.

🔗 Fonte: G1