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Plano de Encerramento de Atividades Licenciáveis: O que é, Importância e Como Elaborar

4 de setembro de 2025

No cenário atual, em que a sustentabilidade e a responsabilidade socioambiental são cada vez mais exigidas, empresas e empreendimentos precisam se preparar não apenas para iniciar suas operações de forma regularizada, mas também para encerrar atividades de maneira responsável. Em Santa Catarina, o Instituto do Meio Ambiente (IMA) estabelece diretrizes claras para o Plano de Encerramento de Atividades ou Empreendimentos Licenciáveis, documento obrigatório que assegura a avaliação da qualidade ambiental das áreas que serão desativadas .

Este artigo detalha o que é o plano de encerramento, quais são suas exigências, a importância de sua correta execução e os impactos de não cumpri-lo, trazendo informações essenciais para empresas que precisam se adequar à legislação.

O que é o Plano de Encerramento de Atividades Licenciáveis?

O Plano de Encerramento de Atividades é um documento técnico que deve ser apresentado ao IMA por empreendimentos licenciáveis que desenvolvem atividades potencialmente geradoras de áreas contaminadas. Sua função principal é garantir que, ao encerrar ou desocupar um empreendimento, não haja passivos ambientais que representem risco ao meio ambiente ou à saúde da população .

De acordo com o Enunciado nº 02/2018 do IMA, o plano deve ser apresentado com antecedência mínima de 90 dias antes do encerramento das atividades, em conformidade com a Resolução CONSEMA nº 98/2017, art. 35. O órgão ambiental tem o prazo de 60 dias para analisar as propostas apresentadas .

Conteúdo Mínimo Exigido

O plano de encerramento deve conter informações detalhadas sobre o empreendimento e seu processo de desativação, incluindo:

  1. Dados cadastrais do empreendimento: razão social, CNPJ, endereço, coordenadas, contatos e código da atividade.
  2. Informações sobre o encerramento: quais atividades serão descontinuadas, matérias-primas utilizadas, produtos, resíduos gerados e o destino de cada um deles.
  3. Gestão de resíduos e materiais: descrição de quantidades, estado físico, forma de acondicionamento e destinação final. Isso inclui resíduos, equipamentos, materiais de demolição e entulhos .
  4. Caracterização da situação ambiental: avaliação preliminar, investigação confirmatória e, se necessário, investigações detalhadas para identificar áreas contaminadas.
  5. Responsáveis técnicos: identificação dos profissionais que elaboraram o plano, incluindo qualificação e registro em conselho de classe .

A Importância do Plano no Contexto Atual

O encerramento de atividades empresariais sem um plano adequado pode gerar sérias consequências ambientais, econômicas e jurídicas. Áreas contaminadas podem comprometer o solo, a água e a saúde da população. Além disso, imóveis com passivos ambientais perdem valor de mercado e tornam-se mais difíceis de comercializar.

Do ponto de vista legal, o Termo de Encerramento só é emitido pelo IMA se ficar comprovada a inexistência de passivos ambientais. Caso haja contaminação, o empreendedor deve seguir etapas adicionais previstas na Instrução Normativa IMA 74, que trata da recuperação de áreas contaminadas .

Ignorar essas obrigações pode resultar em multas, sanções e responsabilidade civil e criminal dos responsáveis legais.

Como Elaborar um Plano de Encerramento Eficiente

Para garantir conformidade e segurança, é essencial que o plano seja elaborado por profissionais qualificados, geralmente engenheiros ambientais ou especialistas em gestão ambiental. Algumas práticas recomendadas incluem:

  • Antecipação: iniciar o planejamento com antecedência, garantindo tempo hábil para realizar análises ambientais.
  • Transparência: fornecer informações detalhadas sobre insumos, processos e resíduos.
  • Gestão adequada de resíduos: garantir que todo material seja destinado de forma ambientalmente correta.
  • Monitoramento ambiental: realizar avaliações de solo e água, evitando riscos futuros.
  • Registro formal: manter toda documentação organizada e pronta para auditorias e verificações.

Exemplos e Estudos de Caso

Empresas industriais que encerraram operações em áreas urbanas frequentemente enfrentaram problemas relacionados à contaminação do solo por metais pesados ou hidrocarbonetos. Em muitos casos, a ausência de um plano prévio resultou em processos judiciais, altos custos de remediação e perda de credibilidade no mercado.

Por outro lado, organizações que planejaram o encerramento corretamente conseguiram transformar áreas antes comprometidas em locais aptos para novos investimentos, agregando valor econômico e reforçando sua imagem institucional como empresas responsáveis.

Alternativas e Soluções Sustentáveis

Uma prática cada vez mais comum é integrar o plano de encerramento a políticas de logística reversa e de economia circular, garantindo que resíduos e equipamentos tenham reaproveitamento ou reciclagem. Além disso, medidas como a recuperação de áreas degradadas podem permitir a reutilização do espaço para novos empreendimentos, reduzindo o impacto ambiental.

Conclusão

O Plano de Encerramento de Atividades Licenciáveis é mais do que uma obrigação legal: trata-se de uma ferramenta estratégica para proteger o meio ambiente, garantir a segurança da população e resguardar o valor econômico dos empreendimentos.

Elaborar esse plano com qualidade e responsabilidade evita passivos ambientais, fortalece a imagem da empresa e contribui para a construção de um futuro sustentável.

Ao encerrar atividades, as empresas têm a oportunidade de mostrar que a sustentabilidade vai além do discurso: ela se reflete em cada etapa do ciclo de vida de um empreendimento.

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